segunda-feira, 12 de março de 2012

A PEDRA DA FELICIDADE

Nos tempos das fadas e bruxas, um rapaz achou, em seu caminho para casa,
uma pedra que emitia um brilho diferente de todas as que ele conhecia.
Impressionado, decidiu levá-la para casa. Era uma pedra do tamanho de um
limão e pertencia a uma fada que a perdera por aqueles caminhos, em seu
passeio matinal. Era a Pedra da Felicidade. Possuía o poder de
transformar desejos em realidade. A fada, ao se dar conta de que havia
perdido a pedra, consultou sua fonte de adivinhação e viu o que havia
ocorrido. Avaliou o poder mágico da pedra e, como a pessoa que havia
encontrado a pedra era de uma família pobre e sofredora, concluiu que a
pedra poderia ficar em seu poder. A fada decidiu ajudá-lo. Apareceu ao
jovem em sonho e disse-lhe que a pedra tinha poderes para atender a três
pedidos: um bem material, uma alegria e uma caridade. Mas, que esses
benefícios somente poderiam ser utilizados em favor de outras pessoas.
Para atingir o intento, cabia-lhe pensar no pedido e apertar a pedra
entre as mãos. O moço acordou desapontado. Não gostou de saber que os
poderes da pedra somente poderiam ser convertidos em proveito dos
outros. Queria que fossem para ele. Tentou pedir alguma coisa para
si, apertando a pedra entre as mãos, mas sem êxito. Assim, resolveu
guardá-la, sem muito interesse em seu uso.

Os anos se passaram e esse moço tornou-se bem velhinho. Certo dia,
rememorando seu passado, concluiu que havia levado uma vida infeliz, com
muitas dificuldades, privações e dissabores. Tivera poucos amigos, porém
reconhecia ter sido muito egoísta. Jamais quisera o bem para os outros.
Antes, desejava que todos sofressem tanto quanto ele. Reviu a pedra que
guardara consigo durante quase toda a sua existência; lembrou-se do
sonho e dos prováveis poderes da pedra. Decidiu usá-los, mesmo sendo em
proveito dos outros. Assim, realizou o desejo de uma jovem,
disponibilizando-lhe um bem material. Proporcionou uma grande alegria a
uma mãe, revelando-lhe o paradeiro da filha há anos desaparecida, e por
último, diante de um doente, condoeu-se de suas feridas, ofertando-lhe a
cura. Ao realizar o terceiro benefício, aconteceu o inesperado: a pedra
se transformou em uma nuvem de fumaça e, em meio a essa nuvem, a fada -
vista no sonho que tivera ao achar a pedra - apareceu-lhe dizendo:

- Usaste a Pedra da Felicidade. O que me pedires para ti, eu o farei.
Antes devias fazer o bem aos outros para mereceres o atendimento de teu
desejo. Por quê demoraste tanto tempo para usá-la?

O homem ficou muito triste ao entender o que se passara. Tivera em suas
mãos, desde sua juventude, a oportunidade de construir uma vida plena de
felicidade, mas fechado em seu desamor, jamais pensara em fazer o bem ou
levar a felicidade a alguém. Ignorava que, fazendo alguém feliz,
colheria o bem e a felicidade para si mesmo. Lamentando o seu passado,
de dor e seu erro em desprezar os outros, pediu comovido e arrependido,
à fada:

- DÁ-ME TÃO SOMENTE A FELICIDADE DE ESQUECER MEU PASSADO EGOÍSTA.

[autor desconhecido]

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