sexta-feira, 31 de março de 2017

DEPOIS DO FIM

Tanto que quis te esquecer que esqueci do que acontece depois do fim. Percebi que havia passado tudo que eu senti por ti. Aquela confusão de saudade, ciúme e medo, deu lugar a um completo silêncio. Tentei encontrar alguma partezinha de mim que estivesse com raiva, aflita ou simplesmente desesperada por te perder e, pela primeira vez desde que te conheci, não havia nada. Quis chorar. Há uma sincera tristeza em seguir em frente que não nos contam. É triste descobrir que seu paradeiro não me interessa mais, que sua presença não influencia no meu humor. É triste saber que quando eu lhe vejo sei que estamos exatamente como deveríamos estar: cada um para o seu lado.

Então, eu tento acreditar que você ainda vai contar comigo se precisar (embora saibamos que você não vai precisar), que não era pra ser (como uma determinação divina e não o fracasso das tentativas), que não precisamos nos tratar como estranhos (até porque é impossível ignorar o quanto sabemos um do outro).
Mas o que eu devo fazer com a vida que dividíamos? Fingir que não existiu? A gente não fala muito sobre isso, não é? Falamos sobre superação, deixar as mágoas para trás, excluir das redes sociais. Falamos até sobre não falar mais disso numa patética tentativa de nos ouvir dizer em voz alta o que o coração anda gritando por dentro. Mas não falamos sobre o que fazer com o livro que você me deu; na minha estante me faz lembrar você, na minha gaveta me faz temer você, e se eu te devolvesse? Quer dizer que nunca foi meu ou que eu nunca fui sua? E quanto a série que víamos juntos? Você estará ali, ao meu lado, quer eu queira ou não. Como contar uma história sem citar seu nome ou como mudar seu nome em uma história sem parecer que ainda gosto de você? Aliás, me perguntaram isso um dia desses. Eu disse que não, porque é verdade. Não gosto mais. Não como antes, não como nunca. O sentimento é outro, a situação é outra; eu também não sou mais a mesma.
Esse gostar está impregnado no livro, está na música de abertura daquela série. Esse gostar faz poesia para os altos e baixos que vivemos. Vê o lado bom de tudo, ainda quando não se tem mais nada. Esse gostar não me pertence mais. Quis chorar, mas não consegui. O amor que eu conheci contigo está cansado, maltratado, mas não perdeu as esperanças de renascer. Em outro peito. Em outra vida. Dessa vez, minha, e não mais nossa.
Martha Medeiros.

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